Sobre Floripa

Florianópolis, Floripa ou Desterro são alguns dos nomes de uma cidade feita de encontros. Do mar e dos morros, do continente e da ilha, do urbano e do místico, a cidade se ergue a partir da convivência entre opostos que não se anulam, transitando entre a experiência de uma cidade grande e a atmosfera de uma natureza encantada atravessada por lindas paisagens. Nesse espaço de encontros e sínteses singulares, a cidade se mostra especialmente propícia à conversa, ao pensamento e ao debate. Com seus mais de 500 mil habitantes, a capital catarinense reúne também as condições urbanas, acadêmicas e culturais necessárias para acolher o XXI Encontro da Anpof, abraçando a comunidade filosófica em toda diversidade.

Essa vocação para o diálogo se expressa no próprio imaginário da cidade. Não por acaso, Florianópolis ficou conhecida como Ilha da Magia: descrição de um território em que a imaginação, a memória, cotidiano e a vida litorânea coexistem. Os registros de Franklin Cascaes relatam uma ilha povoada por bruxas, encantamentos e histórias reforçadas pelas vivências dos antigos manezinhos, que dialogavam entre o mundano e o extraordinário. Tudo isso mostra menos o sobrenatural e mais a forma como a magia está presente também na maneira como a cidade convive e carrega viva a lembrança mística do território.

Engana-se, no entanto, quem pensa que essa convivência entre diferenças se restringe à imaginação. A formação histórica e cultural de Floripa parte da diversidade açoriana, negra e indígena que marca a capital e todo o estado de Santa Catarina. Basta caminhar pelo centro da cidade para perceber a influência açoriana na arquitetura e na culinária; a presença indígena, especialmente dos povos Guarani, antecede a própria constituição da cidade e permanece inscrita no território e na cultura, por meio do artesanato, das áreas de preservação e das comunidades indígenas que seguem habitando a ilha. A cultura negra é parte fundamental da formação de Florianópolis: seja nas regiões da cidade como o Morro do Mocotó, o Ribeirão da Ilha ou na vida política, educacional, artística e cultural da capital. Quando ainda era Nossa Senhora do Desterro, Floripa foi o berço do poeta João Cruz e Sousa, que inaugurou o simbolismo, e onde deu seus primeiros passos na sua escrita. O pioneirismo político e intelectual da cidade também se expressa na figura de Antonieta de Barros: mulher negra, educadora, jornalista e primeira deputada estadual de Santa Catarina. Sua caminhada inscreve Florianópolis na história da luta por direitos e da produção do pensamento no Brasil.

As belezas naturais também atravessam toda da cidade. Não é possível falar em Florianópolis sem citar suas praias como a Joaquina, o Campeche, a Armação e a Lagoa da Conceição, além de trilhas e áreas preservadas. Tudo isso faz parte do cotidiano da ilha e suas paisagens, que chamam para circular e conhecer os diferentes espaços para além dos edifícios de concreto.

É neste chão, entre o mar e o continente, marcado pelas paisagens naturais que se misturam com o frenesi de cidade grande que Florianópolis estende seu convite. Com a Universidade Federal de Santa Catarina como polo acadêmico e a cidade como morada, a Ilha da Magia se abre para acolher, com atenção e cuidado, a comunidade filosófica no XXI Encontro da Anpof.

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