Mesa Redonda – Filosofia e Transidentidades“Do lugar de fala ao lugar de confinamento: transidentidades e a economia política da escuta na filosofia”, em parceria com Rede Brasileira de Filósofes Trans Agnes Lucius – Doutoranda em Ciências da Religião no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião (PPGCR/UEPA), mestra em Ciências da Religião (PPGCR/UEPA), especialista em Psicanálise pela UNINTER, graduada em Filosofia pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) e membra do Grupo de Experimentações com a Imaginação Conceitual Ameríndia (GEICA/UEPA). Tosh Shibayama – Mestrande em Filosofia pelo Programa de Pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (PPGFIl/UFU), possui formação acadêmica completa em Filosofia pela mesma instituição, detendo os títulos de Bacharel e Licenciada, Membra do Laboratório de Encontros em Alteridade (LEA/UFU) e da Comunidade Asiática Universitária (CAU) do Laboratório de Geografia Cultural e Turismo – (LAGECULT/UFU). Mediação da Profa. Dra. Juliele Maria Sievers (UFAL/Anpof) :: A mesa investiga, em chave filosófico-crítica, a tensão entre o “lugar de fala” e o “lugar de confinamento” como operadores que estruturam a (in)visibilidade das transidentidades nos regimes contemporâneos de reconhecimento. Partindo da hipótese de que a escuta é atravessada por determinações materiais, discursivas e institucionais, propõe-se compreendê-la como instância inscrita em uma economia política que regula a circulação da palavra, distribuindo desigualmente as condições de audibilidade e legitimidade. Nesse horizonte, a mesa sustenta que o apelo ao “lugar de fala”, quando capturado por lógicas institucionais de reconhecimento, pode operar como tecnologia de contenção, na medida em que fixa sujeitos trans a um campo temático delimitado e reiterativo, restringindo sua potência de intervenção em outros domínios da filosofia. Tal processo evidencia que não se trata apenas de garantir a possibilidade de falar, mas de interrogar as condições sob as quais determinadas falas são autorizadas, solicitadas e, simultaneamente, circunscritas. Nesse quadro, evidencia-se como dispositivos normativos, jurídicos, biomédicos, acadêmicos e midiáticos, capturam a enunciação trans, ora autorizando-a sob critérios de inteligibilidade hegemônica, ora relegando-a a formas de contenção, tutela ou patologização, configurando um verdadeiro regime de confinamento discursivo. Em contrapartida, a mesa enfatiza a dimensão performativa e insurgente das transidentidades, capazes de desorganizar tais regimes ao instaurar outras gramáticas de existência. Tensionar a escuta para além de sua aparência ética imediata, reinscrevendo-a como campo de disputa, onde se jogam não apenas formas de reconhecimento, mas as próprias condições de possibilidade do aparecer político. Diante disso, impõe-se a necessidade de uma inflexão crítica que não se restrinja à demanda por inclusão, mas que opere uma reconfiguração das condições de produção e circulação do saber, desestabilizando os critérios que sustentam tais dispositivos e abrindo espaço para outras formas de inteligibilidade e presença no campo filosófico. |
Mesa Redonda – Ensino de Filosofia:“Tensionando o cânone, transgredindo o filosófico”, em parceria com GT Filosofar e Ensinar a Filosofar da Anpof Taís Silva Pereira – Professora do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ), membro permanente do Programa de Pós-graduação em Filosofia e Ensino (PPFEN), colaboradora do corpo docente do PROF-FILO, núcleo UNIRIO. Coordenadora do projeto interdisciplinar de extensão “Sociologia e Filosofia em jogo”. Diretora de pesquisa da Associação Brasileira de Ensino de Filosofia (ABEFil). Membro da comissão assessora de Ensino de Filosofia da atual diretoria da Anpof (Biênio 2025-2026). Marcelo Senna Guimarães – Professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e membro permanente do PROF FILO – Núcleo UNIRIO e do Programa de Pós Graduação em Filosofia e Ensino (PPFEN) do CEFET/RJ; Coordenador do Projeto de Extensão Filosofia na Sala de Aula/UNIRIO; docente do núcleo de sustentação do GT Filosofar e ensinar a filosofar da Anpof. Augusto Rodrigues – Professor da Universidade Federal de São Carlos e membro do corpo docente do PROF-FILO – Núcleo UFABC; Coordenador do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar da ANPOF (2024-2026); Diretor financeiro da Associação Brasileira de Ensino de Filosofia (ABEFil) :: As pesquisas sobre o ensino de filosofia e a invenção de outras práticas de ensinar e aprender só puderam existir no Brasil a partir de uma tensão – e necessária transgressão – dos pressupostos hegemônicos da filosofia acadêmica. Nesta mesa, colocam-se em cena iniciativas históricas e atuais de pesquisa e de atividades educativo-filosóficas em suas tensões com o cânone filosófico. A transformação do ensino de filosofia em objeto de investigação filosófica, a criação e os projetos do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar da Anpof – que celebra, no XXI Encontro Anpof, seus 20 anos de existência –, a elaboração de produtos educacionais, de outras práticas e materiais de ensinar e aprender filosofia na educação básica são alguns dos aspectos que conduzirão o diálogo entre as/os integrantes da mesa, a fim de pensar a potência transgressora do Ensino de Filosofia como campo de conhecimento. |
Mesa Redonda – Filosofia da Deficiência:“A ‘deficiência’ enquanto problema filosófico”, em parceria com GT Filosofia DEF da Anpof Fábio Abreu dos Passos – Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 2. Pós-doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Atualmente é Professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Política, atuando principalmente nos temas relacionados à Filosofia Política Contemporânea, a partir dos seguintes autores: Hannah Arendt e Michel Foucault. Atua também na área das Artes Visuais, com ênfase em Arte Contemporânea, Estética e Política, Nudez Corporal e Corpos não Hegemônicos e Arte DEF. Atualmente está à frente da Coordenadoria de Inclusão, Diversidade, Equidade e Acessibilidade (COIDEIA), a qual está vinculada à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários (PRAEC), da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Michelle Belatto – Mestra em filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Bacharela em filosofia pela mesma universidade. Bacharel em jornalismo pela Universidade Comunitária Regional de Chapecó. Membra do GT Filosofia DEF da Anpof. Pesquisa em Estudos da deficiência , filosofia da deficiência, fenomenologia, fenomenologia crítica e fenomenologia da deficiência. Também é consultora em audiodescrição. Danilo Vaz-curado – Professor do Programa de Pós Graduação em Filosofia da Unicap, Doutor em Filosofia pela UFRGS. Foi professor visitante na Universidade de Buenos Aires em diversos anos, atuando principalmente na Faculdade de Ciências Sociais – Instituto Gino Germani. Consultor de diversos órgãos e agências de fomento. Na atualidade desenvolve projeto de pesquisa nas áreas de Filosofia da Deficiência e Filosofia da Ação. Entre suas publicações destaca-se o livro “Filosofia da Deficiência”, Edições Humanitas, 2025. :: O que comumente se denomina de “História da Filosofia” caracteriza-se como um conjunto de reflexões de cunho filosófico, levadas a cabo em períodos e territorialidades distintas. Em cada um desses períodos e territorialidades há uma profusão das construções de conceitos e categorias que têm como premissa fundamental tencionar um tema/problema específico, que funciona como ponto inicial de todo ato de filosofar, um espanto admirativo – thaumadizem (θαυμαδιζέμ) – diante de tudo o que é como é. A “deficiência”… a pessoa com deficiência e sua existencialidade pode ser compreendida enquanto um tema/problema filosófico no interior da “História da Filosofia”? A “deficiência” é capaz de despertar um espanto admirativo iniciador um ato de filosofar? São escassas as páginas de escritos filosóficos que tratam da “deficiência” e, quando tencionada, é com o intuito de explicitar que a “deficiência” se constitui em uma desarticulação dos padrões da natureza e da cultura. Minha proposta no presente artigo é pensar o lócus da deficiência enquanto tema/problema filosófico, tendo como fio condutor algumas reflexões de Platão, Aristóteles e Lucrécio. Posteriormente, tencionarei as maquinarias de controle enquanto constituidoras restritivas dos corpos das pessoas com deficiência, as quais determinam o que um o corpo de uma pessoa com deficiência pode ou não fazer, onde esse corpo pode ou não estar. Assim, essas maquinarias edificam uma compreensão preconcebida, capacitista, sobre o que é “deficiência”. |
Mesa Redonda – Filosofias Africanas:Odará Lokun Ori Meji – Doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS); é membro fundador do Grupo de Pesquisas Viva Vox, período no qual concentrou seus estudos em Filosofia Clássica e Helenística, notadamente o estoicismo, partindo da lógica estoica, da teoria estoica da linguagem e da Retórica gorgiana; Atualmente pesquisa concentra seus estudos sobre as produções filosóficas da civilização egípcia antiga (Kemética) e suas possíveis relações com os atuais povos do continente a diáspora africana no Brasil. Naiara Paula Eugenio – Filósofa Amẹwà, PhD em Estética e Filosofia da Arte Africana; Professora de Filosofias Africanas no Departamento de Filosofia e PPGFIL da UERJ, e pioneira nas pesquisas em Estética e Filosofia da Arte Africana no Brasil. Mediação da Profa. Dra. Alice Lino Lecci (UFR/UFMT/Anpof) :: O Brasil tem iniciado apenas recentemente a inserção no debate sobre as filosofias africanas, campo já consolidado há décadas em universidades nos continentes africano, europeu e nos Estados Unidos. O campo da discussão sobre esta produção encontra um vasto espectro de debates atravessando, e mesmo antecipando, debates dos quatro grandes tempos históricos da filosofia, tal como viemos estudando. Desde as abordagens do pensamento de Rekhet, no Antigo Egito (conhecido pelos estudiosos e por parte dos antigos como Kemet), passando pelo pensamento produzido e preservado na universidade de Timbuktu, no séc. X, ao pensamento de autores como Zera Yakob e Walda Heywat, no século XVII, até a prolífera e multifacetada filosofia africana contemporânea, apresentam contribuições para os diversos campos do pensamento filosófico, como a ontologia, a epistemologia, a ética, a estética e a política. Ainda pouco explorado entre nós, esse amplo quadro de reflexão filosófica mundial revela a riqueza e a diversidade das filosofias africanas. Esta mesa buscará apresentar algumas facetas desse debate e discutir sua relevância para a pesquisa filosófica no Brasil. |
Mesa Redonda – Filosofias Afrodiaspóricas:Adilbênia Machado – Doutora em Educação (UFC); Mestra em Educação (UFBA); Licenciada e Bacharela em Filosofia (UECE). Professora Adjunta da UFRRJ, Instituto Multidisciplinar – Departamento Educação e Sociedade; Docente Permanente do PPGEDUC – UFRRJ – Linha: Educação Étnico-Racial e de Gênero: Linguagens e Estudos Afro-diaspóricos. Maria Fernanda Novo – Professora adjunta de Filosofia Africana, Afrodiáspórica e Ameríndia na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Professora do Programa de Pós-graduação em Filosofia (PPGF- UFRJ), na linha de pesquisa Gênero, Raça e Colonialidade. Doutora em Filosofia pela UNICAMP (2018), com estágio no exterior na Université Paris X- Nanterre – França (2016). Rodrigo Ferreira dos Reis – Historiador e pesquisador, doutor e mestre em História do Tempo Presente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Sua atuação acadêmica foca na linha de Políticas de Memória e Narrativas Históricas, articulando reflexões sobre pós-colonialismo e decolonialidade. É membro do AYA (Laboratório de Estudos Pós-Coloniais e Decoloniais) e integra o Núcleo Pindorama (Núcleo de Estudos em Pensamento Social e Político Brasileiro/ UFSC). Mediação da Profa. Dra. Halina Leal (PUCPR/Anpof) :: Evocar as “vozes-mulheres” é mobilizar ancestralidade, memória e encantamento como ferramentas filosóficas capazes de tecer novas formas de existência e resistência frente à lógica racializante da modernidade. Ao mesmo tempo, articular perspectivas do pensamento negro produzido fora do continente africano implica compreender as diversas formas pelas quais a experiência diaspórica produziu modos próprios de pensar o corpo, o território, a identidade, a liberdade e a comunidade, transformando a memória coletiva em força criadora de novos horizontes éticos, políticos e ontológicos. A presente mesa articula, assim, as “vozes-mulheres” às reflexões de Beatriz Nascimento e Sylvia Wynter. A “Diáspora Imaginada” de Beatriz Nascimento concebe o Quilombo e a memória diaspórica não apenas como fatos do passado, mas como territórios atuais, onde a ancestralidade se funde à temporalidade presente para sustentar a resistência e a identidade negra. Sylvia Wynter, por sua vez, redefine o humano como práxis narrativa e social contínua, capaz de se reinventar fora das amarras do racismo estrutural. Dessa forma, pretende-se explorar algumas das contribuições das filosofias afrodiaspóricas para os debates contemporâneos em ontologia, política, memória e subjetividade. |